quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Se não suportaram a pressão

No mínimo eu tenho que achar que sou bom, bom um adjetivo que tem muitas explicações no Aurélio

[Do lat. bonu.]
Adjetivo.
1.Que tem todas as qualidades adequadas à sua natureza ou função 2.Benévolo, bondoso, benigno 3.Misericordioso, caritativo. 4.Rigoroso no cumprimento de suas obrigações 5.Que alcançou alto grau de proficiência; eficiente, competente, hábil 6.Digno de crédito; seguro, garantido 7.Que funciona bem
8.Próprio, adequado 9.Favorável, lucrativo, proveitoso 10.Perfeito, completo 11.Grande, amplo.
12.Agradável, aprazível 13.Afável, cortês 14.Gostoso, saboroso15.Válido, legal 16.Bras. Pop. Muito disposto; corajoso, valente, bravo 17.Tem, por vezes, um sentido intensivo, reforçando a ideia contida no substantivo ou na expressão que antecede 18.Bras. Homem honrado, virtuoso

Escolheu a sua ou a minha?

Gostaria de levá-los para uma reflexão:

Existia há muito tempo a trás um PHD´us, Dr. Especialista em zunidos provocados por grandes impactos de meteoros, esse especialista acreditava que sabia de tudo e mais um pouco afinal levava em seu cartão de visitas títulos únicos na sua área, cartão este que ele costumava apresentar a todos que se aproximavam, alem dos títulos claro contém o seu nome e também o cargo que ele ocupava na organização na qual trabalhava, organização essa que ele trabalha já a 12 anos. Nosso especialista costumava ir a encontros com os amigos, jantares com amantes, reuniões na empresa e fazia questão de dizer um breve resumo de sua historia...

Quem ele é. Como ele se tornou o que ele é, o que ele faz hoje para manter o que ele é.

Era sempre o mesmo texto com pequenas mudanças e todos já sabiam de cor o seu discurso e sempre começava com “Crio, logo existo...” Não vou continuar o seu discurso, pois era muito longo, mas cito essa adaptação da máxima do filósofo francês René Descartes que traduz com fidelidade a mensagem que quero lhes passar, a historinha é só para encher lingüiça porem vamos falar de coisas sérias, ta nem tão sérias assim afinal só é séria se levado a sério. Para ser bom, não basta ser competente e dedicado. No mundo de hoje, são muitos os que têm essas duas qualidades. Além delas, é preciso ser criativo. Esse item faz a diferença. "É a criatividade que tira o homem do sopão dos medíocres" achei interessante essa frase. Pense em seu círculo de amigos. Eleja ali três pessoas que se destacaram em suas atividades – quaisquer que sejam. É grande a possibilidade de que, por trás dessas histórias de sucesso, se encontrem pessoas inventivas, capazes de superar a rotina. Por exemplo um cientista que desenvolveu uma nova tecnologia em laboratório e atraiu o interesse do mundo. As pessoas boas são competentes e dedicadas. As que aparecem com realce, no entanto, costumam ter também boas idéias. É assim que se destacam do rebanho. São o inverso dos acomodados, os medíocres que constituem a maior parte da força de trabalho e ajudam a manter o mundo girando sem, no entanto, alterá-lo de alguma maneira.

Os bons, em diferentes medidas, mudaram o mundo! Se algumas pessoas desenvolvem o seu potencial e outras não, isso se deve a um fator primordial: o prazer de pensar. Se nem sempre é possível mudar o mundo com uma idéia, freqüentemente é possível melhorar a própria vida. Pensar e fazer acontecer é o que importa para os que estão ao nosso redor. Afinal o que define alguém bom em minha opinião, primeiro é alguém dotado de curiosidade, segundo é a inquietude, terceiro é a visão realista e seu “confrontamento”

Texto de minha autoria baseado em alguns outros textos mas achei bacana juntar as idéias que li para que vocês percam tempo lendo... afinal tempo é dinheiro (para alguns)

Bjundas Átila.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A SOCIEDADE GLOBAL E A AUTONOMIA

"Para analisarmos a necessidade da autonomia na sociedade atual, partimos do pressuposto de que a globalização em curso não está apenas nas macrorelações do sistema mundial de Wallerstein, mas também nas práticas da vida cotidiana. Interferem no modo de vida da sociedade, exigindo profundas modificações nas suas instituições. Assim, o terreno sobre o qual a autonomia se deve sedimentar localiza-se não apenas no campo tecnológico, mas também na abrangência de toda a vida social, envolvendo elementos da política, da cultura, do trabalho, bem como os processos de produção e consumo.

Traduzir essas mudanças de forma esquemática é bastante complexo e, na maioria das vezes, compromete-se a realidade. Das várias tentativas de resumo apresentadas pelos teóricos que trabalham a diferença entre fordismo e pós-fordismo (entre eles os pensadores "Novos Tempos"), destacamos aquelas que trabalham as mudanças sob os mais diversos ângulos, e que, segundo KUMAR (1997), podem ser traduzidas no seguinte:

- economia: consolidação de um mercado internacionalizado e declínio das empresas nacionais e das Nações-Estado como unidade eficiente de produção e controle; fim da padronização; produção de trabalhadores em tempo flexível, parcial, temporários e autônomos, aumento da terceirização e franquias;

-relações políticas e industriais: fragmentação das classes sociais; declínio dos sindicatos de categorias centralizadas de trabalhadores e de negociações salariais; ascensão de negociações localizadas, baseadas na fábrica; força de trabalho dividida em núcleos; fim do compromisso do corporativismo de classe; esfacelamento da provisão de benefícios padronizados e coletivos e fortalecimento da aposentadoria privada;

- cultura e ideologia: desenvolvimento e promoção de modos de pensamento e comportamento individualistas; cultura da livre iniciativa; fim do universalismo e padronização na educação; aumento do sistema modular e da escolha por alunos e pais; fragmentação e pluralismo em valores e estilos de vida; ecletismo pós-modernista; privatização da vida doméstica e das atividades de lazer.

Nesse contexto, os indivíduos estão cada vez mais mergulhados na turbulência da incerteza, do medo, da perplexidade, o que os leva a procurarem soluções alternativas para o percurso da existência nos novos paradigmas sociais da cultura contemporânea. Para tanto, cada vez mais o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais e buscar resposta nos valores de uma "modernidade reflexiva"(GIDDENS, 1996)que, em muitos aspectos, ainda estão para serem formulados.

Assim, o entendimento da concepção do novo saber produzido neste fim de século direciona a ação não mais dentro do fluxo contínuo, seqüencial e fixo, mas envolve impulso descontínuo e flexível com permanente oportunidade de recriação de formas sociais e vida de trabalho diferentes.

Sob esse aspecto, concordamos com Giddens que estamos numa sociedade cuja marca é a destradicionalização ("(...)as tradições são constantemente colocadas em contato umas com as outras e forçadas a "se declararem""(Giddens,1996:99)) e, portanto, a reflexividade social("(...) condição e resultado de uma sociedade pós-tradicional, onde as decisões devem ser tomadas com base em uma reflexão mais ou menos contínua sobre as condições das ações de cada um"(Giddens, 1996:101)).

Essa reflexividade aponta elementos significativos para a sedimentação da autonomia na sociedade globalizada. A autonomia como condição de autodeterminação para conviver com os riscos, incertezas e conflitos passa a ser considerada hoje na escala de valor como um bem necessário gerador de decisões e criador de possibilidades no manejo com o conhecimento. É a única alternativa aberta para orientar nossa capacidade de relacionamento com a "superprodução" da sociedade contemporânea.

No desenvolvimento desse processo, as práticas sociais cotidianas são freqüentemente alteradas e as informações renovadas são uma constante dessa dinâmica. Isto faz com que o conhecimento reflexivamente aplicado altere a vida, obrigando os indivíduos, as instituições e as organizações políticas, sociais e econômicas a reformularem os seus conceitos e valores como pressupostos básicos para a entrada no processo da globalização.

Agora, as ações cotidianas de um indivíduo estão entrelaçadas em todo o sistema, o que lhe coloca como essencial um certo grau de autonomia para que o mesmo possa sobreviver, e, como diz Giddens, "moldar uma vida" na sociedade contemporânea. Entendida a partir dos processos e estruturas culturais que configuram a globalização, a autonomia refere-se às múltiplas capacidades do indivíduo em se representar tanto nos espaços públicos como nos espaços privados da vida cotidiana, ao seu modo de viver e aos seus valores culturais; à luta pela sua emancipação e desalienação; à forma de ser, sentir e agir; à capacidade de potenciar atividades em diversas formas de trabalho; à resolução de conflitos; ao fortalecimento em relação às suas próprias emoções, que o torna capaz de solidarizar com as emoções dos outros e, enfim, estar mais associado em suas ações.

Portanto, é inegável que a autonomia tornou-se requisito básico no mundo globalizado. Constitui-se como necessidade material, no momento em que a racionalidade tecnológica coloca como exigências para o homem o domínio do conhecimento, a capacidade de decidir, de processar e selecionar informações, a criatividade e a iniciativa. Somente um indivíduo autônomo consegue manejar com estes elementos, os quais exigem ações/tomadas de decisões constantes para responder/resolver novas problemáticas advindas desta nova fase do capitalismo.

É uma necessidade psicológica, uma vez que os indivíduos precisam desenvolver uma efetiva comunicação entre si, num espaço destradicionalizado. Nesta sociedade, o diálogo molda a política e as atividades, possibilitando discussões abertas rumo à definição da "confiança ativa", a qual constitui este viés psicológico ao exigir uma "renovação de responsabilidade pessoal e social em relação aos outros"(GIDDENS, 1996:22).

Esse enfoque, até então deixado de lado, é essencial hoje quando o mesmo está relacionado a um objetivo nobre, ou seja, somente o diálogo democrático possibilitará a "democratização da democracia"(GIDDENS,1996) e, com isto, a preponderância da justiça em escala global.

Relacionando-se a esta questão, a autonomia tornou-se uma necessidade sócio-cultural; mas também porque no processo de globalização é um trabalho que diz respeito a um amplo movimento cultural de superação de velhas concepções de mundo, constitui-se numa nova direção de relação social e elaboração de um novo comportamento reflexivo.

Assim, a autonomia não pode estar dependente de justificações de ordem econômica ou ideológica, por constitui um valor que capacita a nossa participação no percurso de todas as circunstâncias da existência humana. Neste sentido, há muito a se conhecer a respeito da real possibilidade da utilização desse valor.

Por tudo isso, é por excelência uma necessidade política, pois somente um indivíduo autônomo ("sujeito ativo") possui condições de entender as contradições que permeiam o mundo globalizado, questionando-as e agindo no sentido de canalizar as oportunidades desta sociedade para mudanças qualitativas e, concomitantemente, apresentar alternativas às ameaças. Sob este aspecto, autonomia é rompimento com as políticas instituídas no passado e que ainda perduram, manifestadas na dependência, na submissão, no conformismo e na alienação.

Se a nossa escolha não é outra senão "decidir como ser e como agir"(Giddens, 1997:94),o como "ser e agir" num contexto globalizado diz respeito à escolha de comportamentos, maneiras de participação nos espaços públicos, atitudes no espaço da produção e do consumo; porém, esta escolha não é mais dirigida por regras fixas, mas sim pela flexibilidade, o que nos leva a destacar que a ação envolvida nesse processo precisa ser consciente, e isto, segundo CASTORIADIS, é peça essencial para a autonomia, pois a tornará uma proposta que nos fará conscientes e autores de nosso próprio evolver histórico.

Torna-se imperativo um entendimento crítico na constituição e prática da autonomia. O que queremos afirmar com isto é que todos esses pontos (da autonomia material, psicológica, sóciocultural e política) são inter-relacionados, e o desmembramento dos mesmos inviabiliza o objetivo maior que é a construção de uma sociedade autônoma."

Texto de:
Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira
(Professor Assistente do Depto de Sociologia e Política-UFSM)

Maria Arleth Pereira
(Professora Titular - Pós-Graduação/Centro de Educação-UFSM)

Autonomia

O processo de globalização está trazendo profundas transformações para as sociedades contemporâneas. O acelerado desenvolvimento tecnológico e cultural, principalmente na área da comunicação, caracteriza uma nova etapa do capitalismo, contraditória por excelência, que coloca novos desafios para o homem neste final de século. Cultura, Estado, mundo do trabalho, educação, etc. sofrem as influências de um novo paradigma , devendo-se adequarem ao mesmo. Neste novo paradigma, a autonomia é privilegiada. Tornou-se necessidade para a vida numa sociedade destradicionalizada e reflexiva. No mundo do trabalho, a autonomia é diferença que marca a mudança do predomínio do fordismo para o pós-fordismo. Já no que tange à educação, deve a mesma possibilitar o desenvolvimento desse valor, trabalhando o homem integralmente para que ele possa não só atender aos requisitos do mercado, mas também atuar como cidadão no mundo globalizado. Nossa análise caminhará sempre no sentido dos limites e das possibilidades desse mundo, tendo como categoria central a autonomia.
[Do gr. autonomía.]
Substantivo feminino.

1.Faculdade de se governar por si mesmo.
2.Direito ou faculdade de se reger (uma nação) por leis próprias.
3.Liberdade ou independência moral ou intelectual.
4.Distância máxima que um veículo, um avião ou um navio pode percorrer sem se reabastecer de combustível.          
5.Ét. Condição pela qual o homem pretende poder escolher as leis que regem sua conduta [Cf., nesta acepç., autodeterminação (2), heteronomia (2) e liberdade (11)].